domingo, 11 de agosto de 2013

Se chegue, tristeza

Nos dias em que a tristeza bate mais forte, ela chega de mansinho. Chega pelos cantos, pelas paredes, pelos copos, pelo cinza do dia. Chega úmida de sentimentos. Chega com a fragilidade e a delicadeza de um cristal. Chega como um cansaço sem fim. Chega como a solidão que acaba no abraço.

A tristeza, pra não passar desapercebida, escapa pelos olhos fundos, indecisos, mareados. A tristeza, apesar de assentada no vazio, preenche, se espalha, transborda. A tristeza é aquática. Sem rumo, a tristeza navega, ancora no peito, se instala. A tristeza é fria, feia, desarrumada. A tristeza é escura, soturna, calada. A tristeza não responde. Perdida, a tristeza se isola, escapa da vida, se distrai em si mesma.

Quando viva, a tristeza faz a gente mais humano. E demonstra até uma esperança de um dia não ser mais triste não...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

São tantas coisas azuis

Acho que tenho enraizado o que outrora disse Clarice: "Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera".

Ter ido ao encontro do que me esperava com certeza foi a viagem mais arrepiante que fiz na vida. Não porque soubesse o que me esperava, porque não sabia mesmo. No meu estado consciente, ao menos, não sabia que existia qualquer chance. Mas aí, quando acontece o que você tantas vezes desejou, sem você fazer nada por isso, fico pensando que é coisa dessa vida, que é curiosa por demais.

Não sei dizer se foram os astros, os signos, os búzios. Tão pouco sei se foi artimanha da vida pra esfregar alguma coisa na minha cara. Não sei mesmo. O que sei é que foi das sensações mais estranhas que já senti. Porque não estava preparado. Porque meu corpo tremeu. Porque fiquei tenso. Porque minha voz travou. Porque foi, de longe, a sensação mais absurda que já passou pelo meu corpo...

Passado tudo, Clarice ecoa: "Amar não acaba". Será possível?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

É tudo o que eu não sei

(o que senti na última quarta-feira está fora de qualquer gibi...)

Acredito que cabe a nós perceber os sinais que a vida nos dá, mas alguns me parecem tão enigmáticos que a confusão fica inevitável. Pra piorar, o coração treme, o estômago vira, o ar falta, o pensar fica difícil.

Até que ponto escolhemos o nosso destino? Até que ponto somos sujeitos das coincidências? Até que ponto o correr da vida se responsabiliza pelos nossos encontros e desencontros?

E se você tivesse chegado 5 minutos antes? E se eu tivesse partido 5 minutos depois? E se mil e uma coisas tivessem acontecido?

É certo que as hipóteses não levam a lugar algum. Assim como é certo que não há nada que possa mudar os fatos. Depois que acaba, vira passado. Ocorreu, vivemos, presenciamos, sentimos. Não há mais "se". Há apenas a realidade. Acontece, aconteceu. Talvez signifique pouco, mas talvez seja o que vai fazer a diferença daqui a algum tempo... Seria esse o início de um novo ciclo? Que ciclo é esse, meu Deus?

Paro e penso. Calma. Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Aprendi com a vida

Não adianta ficar pensando muito...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

(vapor (barato) total)

Barato total fez total sentido em meio a essa onda de manifestações que correu o nosso Brasil varonil nessas últimas semanas. Curioso foi que não participei dos atos, mal emiti opiniões e pouco entendi a respeito do que, de fato, aconteceu. Até hoje me questiono se pode alguém ou algum partido político ter usado o nosso povo sedento por uma vida mais digna como "massa de manobra" como espalharam por aí. Será? Pouco sei mesmo. Pra piorar, ainda me pergunto com certa frequência: a quem será que serviu tudo isso? Quem efetivamente saiu ganhando?

Tudo muito complicado. Difícil falar em política... Mas enfim, seja como for, o que ouvi nesses dias que me chapou, mais do que qualquer teoria conspiratória, foi a Gal cantando: "quando a gente tá contente, tanto faz o quente, tanto faz o frio, tanto faz que eu me esqueça do meu compromisso com isso ou aquilo que aconteceu dez minutos atrás". Não é o máximo!? Pois, se já não bastasse por si só, é um pouco do que tenho experimentado nessa vida.

Não que me sinta plenamente realizado, ou absolutamente feliz, ou sentimentalmente inabalável, ou sexualmente imbatível. O que acontece, acho, é que tenho feito tanta-tanta coisa que meu cansaço me leva a rir de mim mesmo, da minha sorte e, também, da minha desgraça. E aí, o que salva é que tenho feito coisas bacanas, que me distraem e me levam a pensar que, de fato, "tudo que você disser deve fazer bem, nada que você comer deve fazer mal". Pra completar, nunca estive tão antenado ao meu corpo e aos sinais que ele me dá. E isso me dá uma leveza que sei lá...

Viver não é pra ser um problema, né?

Que tal sentar no cordão da calçada e ficar listando as maravilhas da vida até de manhã?


sábado, 29 de junho de 2013

De dentro

Sabe, não sei explicar isso que me prende. E que também é isso de que fujo, desconverso, desvio o olhar, procuro não pensar, tento esquecer. Isso que me faz diferente, e também melhor, e também pior. Isso que me faz ser quem sou. Isso que me impede de ser quem não sou. Isso que me faz lembrar. Isso que não me deixa esquecer. Isso que me faz querer, acreditar. Isso que me faz ter fé. Isso que o tempo não cura. Isso que me deixa com o coração na mão, sensibilizado. Isso que sinto quando percebo que o tempo está passando, sem dó.

E gira em volta de mim. Sussurra que apago os caminhos e que amores terminam no escuro, sozinhos.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Interrompido

Gosto dessa história de escrever por aqui. Não sei explicar bem o porquê, mas acho que é porque me faz pensar melhor as coisas da vida.

Hoje mesmo, tava pensando em alguma coisa qualquer, quando apareceu uma teoria que achei que renderia um post. Lembro ter pensando também, logo em seguida: "hoje posso escrever sobre isso, é segunda, e segundas à noite geralmente consigo escrever e pensar um pouco (!)".

Pois bem, esqueci. Esqueci o tema, esqueci a ideia, esqueci o que me motivou também. Não sei bem o que aconteceu, mas acho que me distraí. Na certa foi alguma antena. Dessas que captam nossa atenção e nos levam a estações inesperadas. E assim não desenvolvi nem mentalmente aquilo que parecia tão óbvio ululante. Uma pena, enrolei as ideias.

Só sei que i'm alive and vivo, muito vivo, vivo, vivo...

"É muita antena e pouca gente antenada". Já disse por aqui?