quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sintomático

Sabe, essa coisa de viver é mesmo uma experiência muito única. É tanta coisa que a gente sente que não sabe explicar, que a vida vira mesmo uma grande coisa sem explicações.

E o pior é que dessa vez não é nenhum sentimento de tristeza ou estrangeirismo, daqueles que a gente sabe que às vezes sente, mas que invariavelmente passa. O que tem acontecido nesses dias é um treco que mexe aqui por dentro, uma coisa que me deixa com frio na barriga, que me atrapalha o sono e que me deixa com as mãos frias, os pés congelantes e a respiração descontrolada. É bem estranho. E o pior é que no fim ainda me deixa na dúvida: não sei se é mau pressentimento, medo ou simplesmente o amor, outra vez.

Tento me distrair pra não pensar, mas não passa. E aí, enquanto fico por aqui sem saber o que fazer, vou observando e sentindo um pouco disso que é ser humano.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ai, minha Nossa Senhora

é de sonho e de pó, o destino de um só
feito eu perdido em pensamentos, sobre o meu cavalo

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sou caipira, pirapora, Nossa Senhora de Aparecida
ilumina a mina escura e funda, o trem da minha vida

terça-feira, 9 de outubro de 2012

gente é música

o samba ainda vai nascer, o samba ainda não chegou
o samba não vai morrer, veja o dia, ainda não raiou
o samba é pai do prazer, o samba é filho da dor
o grande poder transformador



quietinho, devagarinho, com vontade de abraço... e tocando em frente.

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sabe, às vezes fico aqui pensando: o que seria de mim se não houvesse música?

dessas que nos tocam, nos movem, nos esquentam, nos explicam, nos fazem companhia...

o que seria de nós se não fossem elas?

sábado, 15 de setembro de 2012

It's a long way

Essa coisa de viver é algo muito curioso...
 
Da non perdere: Tropicália.
 
 
Sabe, tô pra te dizer que não sou daqui... ando me convencendo de que meu ritmo é outro. Minhas músicas, meu jeito, meus sentimentos também. Não se encaixam, incomuns, estrangeiros.
 
Sabe o sentimento de se sentir um estrangeiro?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Quiabo é bom

Dia primaveril, ipês roxos, zona sul, bistrôzinho, comida boa, música brasileira, mesa no deck, vinho branco, meu porto alegre e meus pais cantarolando juntos Chega de Saudade na volta pra casa. Me comovi silencioso no banco de trás...

Ai de mim que nasci Tupiniquim

domingo, 19 de agosto de 2012

Não adianta nem me abandonar

Sabe, às vezes acho que nasci pra me despedir daqueles que amo. Não por nada. Mas por ser o filho caçula, o menor, o mais novo, o pequeno - aquele que não lembra o nascimento dos outros, tão pouco as brincadeiras de criança deles. Além disso, se já não fosse o bastante, hoje me vejo me despedindo de alguns dos meus melhores amigos - aqueles que não enchem duas mãos, sabe?; amigos que me enchem de orgulho, pela coragem de partir por aí, mas que também me deixam comovido de uma maneira sem igual a cada vez que se despedem.

Escrevo e me emociono. Não sei exatamente o motivo. Mas desconfio que talvez seja pelo fato de ter raízes aqui, por me sentir parte desse lugar e por achar que jamais deixarei de viver por aqui, perto de onde nasci, cresci e vivi tantas coisas que hoje carrego comigo. Além disso, hoje me vejo repleto de memórias e um carinho enorme por aqueles que seguiram outros caminhos em busca da realização de seus sonhos. Se isso já não bastasse, em dias como hoje aparece a falta e a saudade - o que faz eu mais uma vez concluir que a vida vale muito pouco quando a gente está distante de quem a gente ama.

Talvez eu seja apegado ao que se criou, ao que vivi e a tudo isso que há dentro de mim, mas talvez seja só o meu jeito de lembrar aqueles que passaram pela minha vida e que também me fizeram assim...



terça-feira, 31 de julho de 2012

Silêncio

Não sei explicar o que acontece nesses dias em que fico assim, tão sem palavras. Talvez seja coisa da idade, da fase. Talvez seja coisa das mudanças ou das novidades que essa vida traz. Talvez seja coisa da solidão ou do medo dela. Mas talvez seja mesmo uma coisa de dentro de mim. Coisa normal pro meu jeito de ser, de agir, de pensar. Coisa que às vezes me faz parecer estranho, mas que talvez seja só uma defesa, uma maneira de aterrar tudo o que está sobrando por aqui e que tem balançado nos últimos vendavais.

Não há um grande problema. Isso é certo. Está tudo relativamente em ordem. Família, amigos, saúde, saldo bancário, tudo certo, sem problemas ou pendências. E aí se calar parece uma atitude tão antinatural, visto que há tanto que poderia ser contado a partir do que tem acontecido e mexido com tudo por aqui, que me pergunto: o que é que há, heim?

Procurar explicações quase sempre é bobagem. Além de pouco resolver, nos coloca mais dúvidas na cabeça, uma vez que nos remete a memórias e a sensações que foram vividas e que, de alguma forma, jamais vão deixar de existir dentro da gente. E aí é um auê só, não é? Por aqui posso dizer que essas sensações são, hoje, o que me alimentam, na medida que me fazem perceber o quanto tive sorte nessa vida, mas também o que contribuem pra que essa boca fique fechada, evitando reverberar problemas pequenos e contribuindo pra que apareça esse silêncio de olhos atentos. 

No final das contas talvez seja só essa coisa de lembranças, essas marcas que vão ficando com a gente e que resolvem latejar quando a gente menos espera...