quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

pra lembrar

Como os recursos de expressão eram minguados, tentavam remediar a deficiência falando alto (Graciliano, em Vidas Secas).

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Tudo o que é imaginário tem, existe, é (Estamira).

domingo, 20 de janeiro de 2013

Uma aprendizagem

Dessas coisas que aprendi na vida, uma delas é a que diz "nobody wants you, nobody needs you, nobody wants you when you're down and out". E sabe por quê? Porque é exatamente isso! Ninguém precisa de ti quando estás triste e mal. Ninguém te quer assim. Ou você acha que alguém vai te querer quando estás pra baixo, desanimado e desencantado com a vida?

Assim, pra bem viver, acho que a saída pra esses momentos tristes ou de desencanto é se entocar. Não sair espalhando o desânimo por aí ou, pior ainda, culpando alguém por isso. O jeito é ficar quieto, sossegar, se valorizar, ver o que tem de bom na vida e tocar em frente. Com a cabeça, tranquilo, sereno. Esses momentos sempre passam. Não é verdade?

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Pois então. Esses dias, de quarta pra quinta acho, próximo das quatro da manhã, teve barraco aqui em frente ao prédio. O guri, uns 20 e poucos anos, tinha levado um fora da namorada. E provavelmente tinha bebido um tanto. A guria tinha chamado um táxi, tentava ir embora e ele, de chinelos e sem camisa, mantinha a porta do táxi aberta e gritava meio que chorando pra rua toda ouvir (mas pra rua toda mesmo): "por que tu tá fazendo isso comigo? o que foi que eu te fiz? eu vou me matar! eu te dei uma bolsa de 300 dólares!".

Juro que ouvi e vi tudo isso. Com a cara inchada de sono, pensando se era comédia ou tragédia. E a guria, de dentro do táxi, meio que chorando assustada, gritava: "Lucas, para!!! Para Lucas!!!".

Resultado: o taxista chamou mais quatro taxistas pra tentar tirar o guri que estava pendurado na porta do carro. E aí, quando chegaram os outros táxis, apareceu o anjo do guri, o segurança do prédio, que fez ele se soltar da porta e evitou que o guri apanhasse feio.

Depois disso ele entrou. Batendo os portões, cheio da razão. Ai de nós.

Fica a torcida pra que tenha servido de lição pra muita gente por aí...

sábado, 12 de janeiro de 2013

Ainda lembro

Não sei se já escrevi isto por aqui, mas sou campeão de me apegar a algumas coisas bobas. Uma destas é uma pilha de post-its que mantenho aqui ao lado do computador. Nestes pequenos bilhetes tenho o hábito de anotar alguns trechos de música, de livros e de coisas bonitas que leio ou ouço por aí. Não sei bem porque faço isso, mas talvez seja pra lembrar o tanto de beleza que há por aí, ou então tudo aquilo que me mobiliza. Nesta mesma lógica, guardo também ingressos de cinema, bilhetes de embarque e entradas de shows - todos estes na primeira gaveta. Todos diferentes, mas todos cheios de marcas e de lembranças que não saem de mim. Todos que me remetem a alguém ou a algum lugar que, certamente, jamais esquecerei.

Pois bem. Esses dias a moça que fazia limpeza aqui em casa me surpreendeu. Pediu as contas. Mas não contente em pedir só isso, ela pediu também pra levar a minha querida pilha de post-its. Aquela mesma onde guardei as palavras que tanto me apeguei e que tanto repeti por aí ou por aqui sem mais nem porquê. Meio que me desconcertou o pedido, não esperava. Tentei ajustar os interesses e ofereci copiar e passar os trechos para uma folha única, mas ela nem aceitou. Meio desorientado ainda, disse que não podia me desfazer das minhas lembranças em seu formato original. Falei do tempo que levou pra se formar e o tanto que representa pra mim. Ela entendeu, ficou tudo bem. Suspirei.

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"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem (ROSA)".


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

eclipse

as palavras são feiticeiras. capazes de nos aproximar, preencher e transformar, elas são capazes também de nos machucar, ferir e marcar. expressadas com ou sem segundas intenções, é a força delas que me assusta e cala. respeito.

para bem viver, espero sempre encontrar as mais apropriadas. por mim, por ti, por nós.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Quem me navega é o mar

Chega o final de ano e, invariavelmente, vem essa vontade de querer ponderar sobre tudo aquilo que aconteceu e que marcou por aqui. Não sei exatamente porque temos essa tendência de querer fazer estas análises antes que o ano vire, mas uma coisa é certa: se fizéssemos isso o ano todo, mal não faria. O processo de racionalizar minimiza as dores e leva à compreensão de um tanto de coisa que a gente nem imagina.

O processo de análise é que não é fácil. É preciso um pouco de frieza e de distanciamento pra perceber as coisas boas que aconteceram, e também de serenidade pra perceber aquelas não tão boas. É dolorido perceber as distâncias, as ausências, os mal entendidos e todos aqueles momentos que não gostaríamos de ter vivido. Mas é necessário. Pra melhor entendimento, pra aprendizado, para restar alguma coisa.

Não posso dizer que este ano foi ruim. Me formei, tive uma rotina acelerada, fiz novos amigos, conheci novos lugares, trabalhei e estudei muito, vivi o que consegui viver e senti um tanto de coisas que jamais imaginei que poderia sentir. E tudo isso é bom. É muito bom, na verdade. É sinal de que ficaram algumas coisas boas por aqui, coisas que me acrescentam, que me deram mais experiência e que, sobretudo, me fizeram bem.

Pro ano que vem? Ah, vários sonhos. Várias vontades, vários desejos e muita sede de viver e de sentir o que for. Não há de ser ruim. Eu não duvido, eu já escuto os teus sinais.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Lua minguante

Sabe a simplicidade? Isso. Nem precisa muito mais. Talvez só um pouco de afeto. Pra dormir seguro, sereno, completo.
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Ah, que ando tão dedicado ao trabalho que às vezes temo por mim. Até o coração fica aflito: bate uma, a outra falha...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Nas manhãs de domingo (esperando o Grenal)

Não sei se já disse, mas tem coisas que só acontecem por aqui. Coisas que me surpreendem e me fazem entender porque essa cidade que vivo é, de fato, diferente das demais que conheço. Entre essas coisas, e talvez a mais surpreendente, seja a quantidade de mulheres. Não sei se vocês sabem, mas no último censo, o de 2010, foi levantado que existem por aqui 100 mil mulheres a mais do que homens. Incrível, né? É muita TPM pra pouco homem!

Fora isso, há também o número de surfistas. Não sei se é lenda, mas li esses tempos que a capital dos gaúchos é a cidade com o maior número de surfistas no Brasil. O detalhe é que Porto Alegre nem praia tem. A cidade é banhada por uma lagoa, chamada de rio, que o máximo que consegue fazer é uma marolinha de água turva. O resultado de tudo isso? Shows de reggae com lotação máxima, dreads em todos os cantos da cidade e uma penca de carros se debandando pra "Santa" nos finais de semana - porque lá é que tem mar e onda de verdade.

Ah é, e ainda tem essa: dizem por aqui que "Santa" é o melhor estado do Brasil. Tudo porque divide o Rio Grande do Sul dos demais estados. Vê-se-pode. E o pior é que não são poucos que consideram essa terra um País à parte. Coisa de um bairrismo cego, incapaz de perceber que hoje esse estado é um dos mais atrasados do Brasil em termos de educação. Há tempos não somos superiores ou autossuficientes em coisa alguma (mas ai de quem disser isso a um gaúcho separatista).

Voltando à cidade, o que me surpreende por aqui também é a quantidade de idosos que vivem no bairro em que moro. Não que me incomode, mas é que saiu esses tempos que a média de idade dos moradores daqui é a maior do Brasil. Fiquei surpreso, superar Copacabana e todos aqueles senhores que povoaram a princesinha do mar nos anos 50 e 60 é um feito e tanto, não?

Por fim, o que também não posso deixar de escrever é sobre o cheiro de churrasco que invade as ruas daqui aos domingos. É muito característico e impossível de não ser notado o perfume que toda essa carne espetada por aí deixa na cidade. E aí fico pensando que são as chaminés as responsáveis por espalhar o orgulho e unir os gaúchos num sentimento único e difícil de ser visto por aí...